Rua Presidente Pedreira, 78 - Ingá.
O Palácio Nilo Peçanha, conhecido como Palácio do Ingá, foi construído para ser residência do médico e político Dr. José Martins Rocha, em meados de 1860. Em 1896, após sua morte, a família vendeu o imóvel ao industrial português José Francisco Correa, Conde de Agrolongo, dono da Manufatura de Fumos e Cigarros Veado. O Conde de Agrolongo reformou a mansão, onde realizava festas e recepções que, na época, ganharam fama. Em 1903, retirou-se para Portugal, vendendo a residência e seus pertences em leilão.
No ano de 1903, Niterói voltava a ser capital do Estado e o governador Nilo Peçanha resolveu adquirir o palacete para sede do governo. A escritura foi assinada em 30 de junho de 1904. Desde então moraram e despacharam, no Palácio do Ingá, 43 governadores eleitos, interventores e interinos. Seu último ocupante foi o governador Raimundo Padilha, antecedendo a fusão dos Estados do Rio de Janeiro e Guanabara, em 1975. O palácio foi transformado, então, em Museu Histórico do Rio de Janeiro. Um ano depois foi criado o Museu de Artes e Tradições Populares que, inicialmente, tinha administração independente. Em 1991, através de decreto, os dois museus fundiram-se num só - Museu de História e Artes do Rio de Janeiro.
Prédio implantado no centro de amplo terreno, tem seu pavimento social edificado sobre porão habitável. O acesso se faz por duas escadas que se desenvolvem paralelamente à fachada lateral, coberta por uma laje de concreto, sustentada por pilares quadrados. A fachada principal sofreu reformas no primeiro quartel do século XX, alterando a platibanda que arremata o telhado e conferindo-lhe aspecto ecletizante. Nessa fachada abrem-se cinco janelas com balcões em balaustrada de cimento, alinhando-se aos cinco vãos do porão; todos com moldura em cantaria. No corpo central, um pequeno frontão triangular se eleva, marcando o eixo de simetria. Destaca-se, na composição das fachadas, a profusão de elementos arquitetônicos de argamassa, proporcionando ao palácio uma aparência pesada.
Ao fundo, lateralmente, destaca-se um corpo secundário de cada lado, seguindo alguns aspectos arquitetônicos do corpo principal, como ornamentos, o número de pavimentos e o número de janelas.
Para acomodar o Museu de História e Artes do Rio de Janeiro e suas oficinas de arte, o prédio sofreu algumas modificações internas. O museu possui um acervo de aproximadamente 4.800 peças entre mobiliário, porcelanas, documentos, cristais, esculturas, fotografias e numismática, além de obras de artistas de renome, como Antônio Parreiras, Licínio Albuquerque e Quirino Campofiorito. Outra parte do acervo é formada por peças da arte e tradições populares brasileiras, com destaque para peças do Mestre Vitalino. O museu possui ainda uma biblioteca especializada em história, artes plásticas, arte popular e folclore, além das salas destinadas às exposições temporárias.
O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural - INEPAC - tombou o prédio, através do processo E-03/2092/83, em 16 de junho de 1983.
Retirado do livro "Niterói Patrimônio Cultural", editado pela SMC/Niterói Livros em 2000. |